Coimbra, 18 de Janeiro de 1994
Num dia mais propício ao gastar do que ao trabalhar, ou seja em que a actividade cerebral ficou muito aquem daquilo que seria de desejar, eis as divagações nocturnas, que surgiram em altura dada mais a necessidades de vida do que propriamente á actividade intelectual, momento de absoluto repouso cerebral.
O que é o amor, o que me ocorreu não foi mais do que isto:
O amor é o sentimento mais simples e ao mesmo tempo o mais complicado... Boa definição não?...
Simples na medida em que é apenas, e não mais, do que uma necessidade que o ser humano tem de se associar, de adorar e compartilhar os seus desejos, ambições e frustações mais intimas. Mas se reparar-mos talvez não seja assim tão simples... e quando é que há verdadeiramente amor?... e quando é que o ser humano encontra a parte que lhe falta, ou talvez nunca encontre essa metade... em falta...
É estranho o amor porque deixa o ser humano verdadeiramente realizado mas ao mesmo tempo frustrado, alegre mas ao mesmo tempo triste... só tenho uma certeza em relação a este sentimento tão ambiguo... sabe bem. Sabe bem amar e sabe muito melhor saber que tambem se é amado... é tudo quase perfeito. Quase.
Porque é que será, que existe sempre, um senão? Um quase? Um se?
... Bem continuando... antes que me falte a inspiração...
Quando se é novo ama-se perdidamente, jovens não pensam...
Normalmente é se fiel, porque senão, se já não se é, já não se é tão jovem quanto se parece... mas voltando ao principal...
Dizia eu que se amava perdidamente, pois, mas isso passado um certo tempo passa... ora bolas... é caso para se dizer ora bolas outra vez...
Surge quase sempre um coração destroçado, eu ainda não entendi bem, porque é que só se fala do coração, quando eu acho que não tem nada a ver, é psicologico.
São as amargas experiencias da vida, que pouco a pouco vão levando esse ser humano a não amar tanto, e tão cegamente... com medo de outro tão terrivel "curto-circuito" da vida, entenda-se que eu sou estudante de electrotecnia... mas os anos vão passando e se não for como eu, vão surgindo novas paixões, mais frias, melhor dizendo são replicas da primeira, sabem é que ontem houve um terramoto em Los Angeles, é só por isso... até que, se chega a uma altura em que há uma extrema necessidade de amor... necessidade essa que leva esse ser humano a procurar algo mais estavel numa paixão...
Mas como gato escaldado de agua fria tem medo...
Mais duradoura, acaba normalmente por encontrar...
Aqui começam as contradições... Tem-se uma paixão estavel, duradoura e o que é que ele se lembra? De ser infiel a essa mesma paixão... porque? Se procurou tanto?
Agora que encontrou vai deitar tudo a perder?
É assim mesmo, é a necessidade de provar qualquer coisa diferente, de provar que se está vivo. É á conclusão que eu cheguei...
E há-de ser nessas infedilidades, nesse amor entre dois seres humanos, como o primeiro amor, forte, fiel e curto por vezes, mas muito marcante... que estará a paixão das nossas vidas...
Mas não interessa, adiante, só vou dizer mais pouca coisa, falta-me o espaço e o sono começa a apertar... convençam-se de que o amor é tão necessário á vida como a comida e a bebida... e a solidão tão desesperante como um cancro... mas com cura possivel!!!
Nenhum comentário:
Postar um comentário